Como parte das ações do Agosto Lilás, campanha voltada ao enfrentamento da violência doméstica e familiar, a Prefeitura de Adamantina (SP) adaptou e implementou uma estrutura educativa no Parque dos Pioneiros. O objetivo da iniciativa é conscientizar a comunidade sobre comportamentos abusivos que costumam anteceder as agressões físicas graves, muitas vezes naturalizados no cotidiano de um relacionamento.
Com 2,40 metros de altura e 80 centímetros de largura, o totem apresenta de forma visual uma escala dividida em cinco níveis de gravidade. O primeiro estágio, denominado 'Cuidado', aponta comportamentos iniciais como piadas ofensivas, chantagens, mentiras, ciúme excessivo e desprezo. À medida que a escala avança para o nível 'Alerta', surgem atitudes de controle, proibição, intimidação e desqualificação pública da parceira.
O terceiro estágio, chamado 'Perigo', engloba ofensas diretas, isolamento forçado e a culpabilização da vítima. O patamar seguinte, classificado como 'Risco Muito Alto', alerta para condutas criminosas graves, como ameaças com armas ou de morte, destruição de bens pessoais, agressões físicas e violência sexual. No topo da escala, o nível de 'Emergência' sinaliza situações extremas como espancamento, sequestro, abuso sexual, mutilação e homicídio.
A secretária municipal de Assistência Social, Andreia Regina Ribeiro, explicou que a escolha do Parque dos Pioneiros foi estratégica devido ao grande fluxo de pessoas que transitam pelo local diariamente. De acordo com a gestora, a rede de proteção local buscou criar o totem para dar visibilidade aos sinais de abuso e facilitar o acesso rápido aos canais oficiais de denúncia, como o Ligue 180 e o Disque 190, estampados na estrutura.
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A instalação ocorre em um período de crescimento nos indicadores de violência doméstica na região de Presidente Prudente. Segundo dados oficiais da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), foram formalizadas 244 denúncias no primeiro semestre de 2026 (entre 1º de janeiro e 29 de junho), representando um aumento de 6,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando houve 230 registros.
O indicador que apresentou o salto mais expressivo na região foi o de violações relatadas, que contabiliza os diferentes tipos de agressões informados dentro de uma mesma denúncia. O montante saltou de 761 no primeiro semestre de 2025 para 1.595 no mesmo período de 2026 — um crescimento de 109,6%. Na prática, a média de violações descritas por atendimento subiu de 3,3 para 6,5 tipos de agressão por registro.
O levantamento detalha ainda que o ambiente doméstico concentra a maioria das ocorrências na região. Das 244 denúncias deste ano, 180 (73,8%) ocorreram em residências: 98 na casa da própria vítima, 82 no imóvel compartilhado entre vítima e suspeito, 9 na residência do agressor, 4 em casas de familiares e duas na residência de terceiros. Outros casos foram registrados em vias públicas, meios virtuais, estabelecimentos comerciais, locais de trabalho e postos de saúde. Quanto à autoria da denúncia, em 152 casos (62,3%) o chamado partiu da própria vítima, enquanto 92 registros foram feitos por testemunhas, vizinhos ou familiares.
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