Durante uma expedição realizada no início de agosto deste ano, um grupo de cientistas localizou mais de 400 amostras de fósseis no Oeste Paulista. Ao longo de duas semanas de trabalhos in loco, a equipe visitou pontos conhecidos, como o sítio paleontológico "Tartaruguito", em Pirapozinho (SP), e realizou prospecções nos arredores dos municípios de Santo Expedito, Alfredo Marcondes e Álvares Machado.
O trabalho de campo foi coordenado pelo Dr. Rodrigo Giesta Figueiredo, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com a participação de pesquisadores e estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo tem como foco a análise das rochas sedimentares do Grupo Bauru, especificamente as formações geológicas Araçatuba e Presidente Prudente, visando refinar o registro paleontológico da região.
Conforme explicou ao g1 o pesquisador e docente André E. Piacentini Pinheiro, da FFP/UERJ, a expedição obteve sucesso em resgatar uma grande diversidade de materiais. Foram coletados fósseis de invertebrados, restos de tartarugas, dentes de crocodilianos, escamas de peixes e fragmentos ósseos de dinossauros. Entre as evidências preservadas estão também os chamados icnofósseis, que incluem marcas de pegadas e cascas de ovos, considerados vestígios indiretos da presença desses animais.
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O especialista esclareceu que, embora o nome do pacote rochoso formado no final do Mesozoico (Cretáceo) seja Grupo Bauru, as coletas não foram realizadas no município de Bauru, mas em subunidades rochosas específicas presentes no Oeste Paulista. Há milhões de anos, essa área geográfica era composta por drenagens de rios e regiões alagadas que sustentavam uma vasta fauna de moluscos, microcrustáceos, peixes, anfíbios, répteis e mamíferos.
Além de contribuir para o entendimento da evolução dos ecossistemas continentais do Cretáceo no Brasil, a iniciativa promove a capacitação prática de estudantes universitários em técnicas de busca, coleta e armazenamento seguro de fósseis. O material coletado agora passará por análises detalhadas pelos pesquisadores e colaboradores envolvidos no projeto.
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