O comportamento dos animais de estimação vai além de simples manias e pode revelar detalhes cruciais sobre sua saúde física e emocional. Muitas vezes, cães e gatos expressam dor ou desconforto de maneira extremamente sutil, sem apresentar sintomas físicos evidentes, o que exige atenção redobrada dos tutores no cotidiano.
Para entender como decifrar esses sinais silenciosos, a médica veterinária Giovanna Del Cistia explica que a redução do apetite e a diminuição da agitação são os primeiros indicativos de que algo não vai bem. Segundo a especialista, o animal com dor pode dormir mais que o habitual, buscar mais apego com o tutor ou, em contrapartida, demonstrar agressividade e evitar o apoio de alguma parte do corpo.
A dor crônica ou aguda ativa mecanismos de defesa que geram estresse nos pets, alterando a forma como eles interagem com o ambiente. "Animais com dor tendem a apresentar frequências cardíaca e respiratória mais elevadas. Além disso, reações como a lambedura excessiva de patas ou, no caso dos felinos, o hábito de urinar fora da caixa de areia, são fortes sinais de alerta", pontua a veterinária.
O cuidado deve ser ainda maior com animais idosos, que são propensos a doenças crônicas como a artrose. Giovanna reforça que um pet idoso saudável ainda deve se movimentar e comer normalmente, e a prostração excessiva não deve ser vista como natural da idade. Ela também faz um alerta rigoroso contra a automedicação: analgésicos humanos nunca devem ser administrados em animais, pois as dosagens e substâncias são específicas para cada espécie.
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Na prática, a observação diária se mostra a melhor ferramenta de prevenção. A tutora Stephany Marcondes, de 25 anos, acompanha de perto a rotina de seus cães Pandora e Biggu. Ela relata que percebe alterações como respiração ofegante sem esforço físico prévio ou apatia repentina. "Com a convivência, aprendemos a interpretar essas pequenas variações e a entender o que eles estão tentando demonstrar", afirma.
No caso dos felinos, a comunicação pode ser ainda mais particular. A fisioterapeuta Maria Carolina Sanches, de 27 anos, conta que seu gato Draco, de seis anos, expressa incômodos por meio de miados repetitivos e mudanças de hábito, como preferir o isolamento dentro de casa em dias em que normalmente passaria deitado ao sol no quintal. Ao notar qualquer comportamento atípico e persistente, a orientação profissional é sempre buscar o suporte de um médico veterinário.
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